ARTE DO BRASIL

Marcos Anthony pinta histórias e obras que são cenas do passado por ele descobertas em livros, museus e - claro, intuições personalistas. Séculos assim ressurgem em nova roupagem, nas pinceladas que formam tecidos e padrões, da Europa medieval ao Brasil colonial - com referências picassianas (as faces múltiplas) - e as divisões de expressão. Em um figurativo contemporâneo, Marcos Anthony vai à Nova Yorque levando na bagagem um Brasil de releituras de impacto. Mesmo sem a capacidade de ouvir sons do mundo, (o artista é portador de surdez), suas cores falam de uma realidade interior em mosaicos diluídos em tons pastéis que resvalam à policromia. Candelabros, cortinas, mesas do Império e a farsa humana parecem dançar sob a alfaiataria artesanal do pintor artista, que se diverte ao saber o observador envolvido na trama das idades que retrata, numa volúpia de castelos e vestígios históricos, mesas entalhadas e rendas sôfregas. Formas egípcias e também corpos "naive" (entre o primitivo e o inocente) fazem lembrar as estátuas gregas do período arcaico, (kouros e kóris, respectivamente homens e mulheres de olhos esbugalhados e maquiados à época). Seres que aparecem a caráter, semi-nus, descalços, incásicos e indígenas, em posicionamento quase sem tridimensionalidade, chapando o visual de frente e de lado: faz-se acreditar numa metamorfose entre períodos diversos da evolução social humana, descritos numa barroca e rococó (com alguns enfeites e penduricalhos) interpretação pictórica do mundo.

Rogério Zola Santiago, jornalista e crítico pela Indiana University, USA